Nesta página
- O que é a concussão e como se manifesta
- Sinais que obrigam a chamar a ambulância
- O que tem de ser visto pelo médico no mesmo dia
- O primeiro dia e a primeira semana em casa
- Como regressar ao trabalho, às aulas e ao desporto
- Se os sintomas se prolongam para além de duas semanas
- A pancada de que se lembram um mês depois
- Consulta em linha
Medicamentos habitualmente prescritos para Lesão na cabeça e concussão
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: COMPRIMIDO, 500 mgSubstância ativa: paracetamolFabricante: Industria Quimica Y Farmaceutica Vir S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: COMPRIMIDO, 650 mg comprimidosSubstância ativa: paracetamolFabricante: Apotheke Laboratorios S.L.Não requer receita médicaForma farmacêutica: SOLUÇÃO/SUSPENSÃO ORAL, 100 mg/mlSubstância ativa: paracetamolFabricante: Laboratorios Cinfa S.A.Não requer receita médica
Bater com a cabeça pode acontecer em qualquer lado: no gelo, numas escadas, contra a aresta da porta aberta de um armário. Quase sempre tudo acaba num galo e em dois dias de dor de cabeça. A dificuldade está noutro ponto: para o cérebro sofrer não é preciso ficar um único arranhão por fora, e uma hemorragia dentro do crânio nem sempre se manifesta logo, pelo que a pessoa pode parecer bem durante uma hora, duas ou mesmo um dia inteiro. Por isso tudo o que se segue se resume a duas coisas: reconhecer os sinais perante os quais não se pode esperar e dar à cabeça alguns dias sossegados quando esses sinais não existem.
O que é a concussão e como se manifesta
A concussão é uma perturbação temporária do funcionamento do cérebro depois de uma pancada ou de um solavanco brusco da cabeça. Não é necessário perder os sentidos: a maioria das concussões acontece sem um único segundo de inconsciência. Reconhece-se por um conjunto de queixas, algumas das quais surgem não no momento do embate, mas algumas horas depois:
- dor de cabeça, normalmente surda e espalhada, tonturas, náuseas;
- sensação de nevoeiro mental, lentidão, dificuldade em encontrar uma palavra ou em acompanhar uma conversa;
- uma falha de memória que abrange o próprio momento do acidente e os minutos em redor;
- incómodo com a luz forte e com os ruídos altos;
- irritabilidade, choro fácil e ansiedade invulgares;
- sono alterado: custa a adormecer ou, pelo contrário, dorme-se o dobro do habitual;
- cansaço que chega depressa a ler, diante de um ecrã ou numa sala ruidosa.
Numa criança pequena o quadro é diferente: chora mais tempo e acalma-se com mais dificuldade do que é costume, recusa a comida, perde o interesse pelos brinquedos, fica apagada ou, ao invés, não consegue sossegar. Uma mudança de comportamento numa criança é um sintoma tão válido como a dor de cabeça num adulto.
Convém saber de antemão que a concussão em si não se vê nos exames de imagem. A tomografia não a procura a ela, mas sim a hemorragia e a fratura. Um exame normal significa apenas que não há sangue dentro do crânio e não anula nem os sintomas nem a necessidade de descansar.
Sinais que obrigam a chamar a ambulância
Chame uma ambulância (na Europa, o número único 112) se depois de uma pancada na cabeça surgir qualquer um destes elementos:
- a pessoa não recuperou os sentidos ou custa a acordar e adormece a meio de uma conversa;
- uma crise convulsiva;
- vómitos repetidos;
- uma dor de cabeça que não só persiste como vai aumentando;
- sai um líquido claro e aquoso pelo nariz ou pelo ouvido, ou sai sangue pelo ouvido;
- nódoas negras à volta dos dois olhos ou atrás das orelhas, embora a pancada não tenha sido aí;
- fraqueza ou dormência num braço ou numa perna, boca ao lado, fala arrastada, ou não percebe o que lhe dizem;
- pupilas de tamanhos diferentes, visão dupla, perda de visão;
- confusão: não reconhece os familiares, não sabe onde está, repete a mesma pergunta sem parar;
- não consegue levantar-se, andar nem manter o equilíbrio;
- ferida com afundamento do osso, osso à vista ou um objeto espetado;
- embate a alta velocidade: um acidente de viação, um atropelamento, uma queda de altura superior à própria estatura ou por umas escadas, um mergulho mal sucedido.
Enquanto a ambulância não chega, não deixe a pessoa sozinha, não lhe dê nada a beber nem a comer e, se houver suspeita de lesão do pescoço, não lhe rode nem levante a cabeça. Se estiver inconsciente mas a respirar, vire-a de lado rodando o tronco em bloco e apoiando o pescoço. Não leve o ferido no seu próprio carro: pelo caminho pode agravar-se.
O que tem de ser visto pelo médico no mesmo dia
Nem sempre é preciso ambulância, mas também não convém esperar até segunda-feira. Uma observação no próprio dia é necessária se:
- houve perda de consciência, mesmo de poucos segundos;
- ficou uma falha de memória, por mais curta que seja;
- vomitou pelo menos uma vez;
- a dor de cabeça mantém-se e não cede com um analgésico comum;
- toma medicamentos que fluidificam o sangue ou tem uma alteração da coagulação;
- quem bateu com a cabeça foi uma pessoa idosa: nela uma hemorragia é possível mesmo após um embate ligeiro;
- no momento da lesão havia álcool ou drogas pelo meio, porque então torna-se impossível distinguir a embriaguez da lesão cerebral;
- houve cirurgia cerebral no passado ou existe uma derivação colocada;
- há uma ferida que precisa de pontos ou um inchaço grande que cresce depressa;
- a criança não se comporta como de costume;
- a lesão foi provocada de propósito por outra pessoa.
O primeiro dia e a primeira semana em casa
Se não houver sinais de alarme, o resto resolve-se em casa e as regras são poucas.
- Nas primeiras vinte e quatro horas deve estar por perto um adulto capaz de dar pelo agravamento.
- Aplique frio envolvido num pano, em períodos curtos: reduz o inchaço e a dor no local da pancada.
- Para a dor de cabeça, nos primeiros dias é mais sensato o paracetamol. A aspirina e os anti-inflamatórios dificultam a coagulação, o que está a mais num traumatismo craniano recente; pergunte ao médico de família quando poderá voltar a usá-los.
- Dormir pode e deve. Acordar a pessoa de hora a hora é um conselho ultrapassado que só esgota ambos. Importa outra coisa: que seja possível acordá-la da forma habitual.
- Nada de álcool, comprimidos para dormir ou calmantes enquanto durar a recuperação.
- Não conduza enquanto houver tonturas, nevoeiro mental ou reações lentas.
Uma nota sobre o repouso. Ficar num quarto às escuras para além dos dois primeiros dias não acelera a recuperação, atrasa-a. O razoável é um par de dias de calma e depois um regresso gradual às tarefas de sempre, com alguma atividade física suave como um passeio lento, guiando-se pelos sintomas. Se piorarem de forma clara, abranda-se e tenta-se de novo no dia seguinte.
Como regressar ao trabalho, às aulas e ao desporto
O regresso faz-se por degraus e só se sobe um quando os sintomas não voltaram. Primeiro as tarefas domésticas correntes, depois um exercício aeróbico ligeiro, como caminhar ou pedalar sem resistência. A seguir exercícios mais exigentes, mas sem risco de choque. Depois treinos com a equipa sem contacto e só no fim o jogo a sério.
Aos desportos de contacto — artes marciais, futebol, hóquei, râguebi, qualquer atividade em que a cabeça possa apanhar outra pancada — regressa-se quando não resta nenhum sintoma nem em repouso nem em esforço, e depois de o médico o confirmar. A pressa aqui é mais perigosa do que parece: um embate sobre um cérebro que ainda não recuperou provoca raramente, sobretudo em adolescentes e atletas jovens, um inchaço cerebral fulminante de desfecho gravíssimo. Por um jogo perdido não vale a pena arriscar.
A um aluno convém encurtar o dia letivo nos primeiros dias, reduzir o tempo de ecrã e adiar os testes: o esforço mental agrava os sintomas tal como o esforço físico.
Se os sintomas se prolongam para além de duas semanas
Na maioria dos adultos tudo passa numa ou duas semanas; nas crianças e nos adolescentes costuma demorar mais. Mas em algumas pessoas fica um rasto: dor de cabeça, cansaço rápido, irritabilidade, zumbido nos ouvidos, tonturas com os movimentos bruscos da cabeça, distração, sono mau, ansiedade. Isto não quer dizer que se tenha descoberto algo terrível dentro da cabeça: é assim que o cérebro se recupera, e em quase toda a gente estas queixas vão-se apagando.
Não é preciso esperar sozinho. Se ao fim de duas semanas nada melhorar ou os sintomas atrapalharem o trabalho e o estudo, procure o médico: ajudam um sono organizado, uma atividade física doseada em vez do repouso absoluto, um tratamento próprio para a dor de cabeça, a reabilitação vestibular para as tonturas e o apoio psicológico para a ansiedade. A criança cujas queixas não passam ao fim de um mês também deve ser observada.
A pancada de que se lembram um mês depois
Há um cenário que escapa mais do que qualquer outro. Nas pessoas idosas, em quem toma medicamentos que fluidificam o sangue e em quem bebe muito, as veias que ligam o cérebro à sua membrana rompem-se com facilidade e o sangue acumula-se devagar, ao longo de semanas. Esse hematoma crónico não dá sinal no dia do traumatismo, mas duas a oito semanas depois, quando a pancada já foi esquecida e parece uma banalidade: a pessoa bateu numa prateleira e seguiu o seu dia.
Devem alertar uma dor de cabeça que aumenta de dia para dia, sonolência, confusão, um feitio que mudou, fraqueza do braço e da perna do mesmo lado, marcha insegura, perda do controlo da urina. Tudo isto é atribuído com facilidade à idade ou a uma demência a começar, e aí está a armadilha principal. O sangue acumulado é drenado e, depois da operação, as pessoas costumam voltar ao estado anterior, mas quanto mais tarde se faz, pior é o resultado.
O segundo cenário decorre mais depressa. Por vezes, após a pancada, a pessoa melhora, diz que já passou tudo e algumas horas depois agrava-se de repente: dor de cabeça violentíssima, vómitos, sonolência. É assim que se comporta uma hemorragia de uma artéria sob o osso do crânio. É precisamente por isso que quem sofreu um traumatismo craniano fica vigiado durante um dia inteiro, mesmo que logo a seguir ao embate parecesse estar ótimo.
Consulta em linha
À distância resolve-se com facilidade a pergunta que surge primeiro: o que aconteceu foi uma pancada vulgar que se acaba de tratar em casa ou um motivo para ser observado presencialmente, e com que urgência? O médico percorrerá as circunstâncias do traumatismo, os seus medicamentos e as suas doenças crónicas, pesará os sintomas e indicará o que vigiar nas horas seguintes. Em linha também é cómodo falar do que vem a seguir: como organizar o regresso aos treinos, o que fazer com uma dor de cabeça que vai na terceira semana, se a criança precisa de adaptações na escola. Os sinais da lista de urgência não se avaliam à distância: perante eles pede-se ajuda de imediato.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Lesão na cabeça e concussão
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