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Medicamentos habitualmente prescritos para Síndrome do intestino irritável (SII)
Apenas para fins informativos. Consulte sempre um médico antes de utilizar qualquer medicamento.
Forma farmacêutica: CÁPSULA, 30 mgSubstância ativa: duloxetineFabricante: Industria Quimica Y Farmaceutica Vir S.A.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 60 mgSubstância ativa: duloxetineFabricante: Tarbis Farma S.L.Requer receita médicaForma farmacêutica: CÁPSULA, 30 mgSubstância ativa: duloxetineFabricante: Esteve Pharmaceuticals S.A.Requer receita médica
Na síndrome do intestino irritável o intestino dói e trabalha de forma irregular, apesar de não haver nele inflamação, nem úlceras, nem tumor: os exames não encontram nada e a pessoa sente-se mal. Não são «os nervos» nem invenção: na SII estão alteradas a sensibilidade da parede intestinal e a velocidade das suas contrações. É uma perturbação muito comum, costuma durar anos por vagas e não encurta a vida, mas consegue estragar o dia a dia a fundo. Dá para a gerir, e isso começa por perceber o que desencadeia as crises no seu caso.
Como se manifesta
O sinal principal é a dor ou as cólicas abdominais ligadas ao trabalho do intestino: em regra aumentam depois de comer e aliviam depois de evacuar ou de libertar gases. A elas juntam-se:
- inchaço que vai crescendo ao longo do dia: de manhã a barriga está lisa e à noite a roupa aperta;
- diarreia — fezes moles, muitas vezes logo de manhã, com urgências súbitas que levam a planear os percursos pelas casas de banho pelo caminho;
- obstipação, com esforço, fezes duras e a sensação de não se ter esvaziado por completo;
- gases e muco nas fezes.
Consoante o que predomina, distinguem-se a forma com diarreia, a forma com obstipação e a mista, em que uma alterna com a outra. A distinção não é uma formalidade: dela dependem tanto a alimentação como os medicamentos; com o tempo a forma pode mudar.
A SII raramente fica pela barriga. São frequentes o cansaço e o esgotamento, as náuseas, a dor lombar, a necessidade de urinar muitas vezes e com urgência, o incómodo nas relações sexuais, a ansiedade e o ânimo em baixo. Os sintomas vêm e vão: a algumas semanas más segue-se um mês tranquilo, e é essa variabilidade que desnorteia e leva a procurar «o alimento culpado» onde ele não existe.
O que desencadeia as crises
Parte das crises chega sem motivo nenhum, mas a maioria das pessoas acaba por reunir a sua própria lista:
- comida gorda, frita e muito picante, porções grandes, refeições saltadas;
- cafeína e álcool, bebidas com gás;
- sorbitol, xilitol e outros adoçantes terminados em «-ol»: as pastilhas sem açúcar e os produtos «sem açúcar» são uma causa de diarreia e inchaço em que ninguém repara;
- stress, ansiedade, poucas horas de sono, trabalho por turnos, viagens longas;
- nas mulheres, os dias antes da menstruação e os primeiros do ciclo.
Seguir-lhes o rasto de memória não resulta, porque a reação chega muitas vezes um dia depois. É mais simples manter um diário: o que comeu, o que se passava na sua vida, como esteve a barriga. Duas ou três semanas chegam em regra para o padrão aparecer.
Sinais que não pertencem à SII
A SII não explica tudo, e há queixas perante as quais o diagnóstico tem de ser posto em causa. Chame a emergência (em Espanha, Itália, Portugal, Polónia e Ucrânia atende o número único europeu 112) se surgirem uma dor abdominal forte que não passa, com a barriga dura e tensa e febre alta, uma hemorragia abundante pelo reto, vómito com sangue ou fezes pretas como alcatrão.
Ao médico nos dias seguintes, sem esperar pela consulta marcada, se houver:
- sangue nas fezes ou fezes pretas;
- perda de peso que não procurou;
- dor ou diarreia que acordam durante a noite — na SII os sintomas costumam recuar com o sono;
- febre;
- uma alteração duradoura do trânsito habitual que se prolonga por mais de algumas semanas, sobretudo se começou em idade adulta ou avançada;
- sinais de anemia: palidez, falta de ar, cansaço acentuado;
- um caroço que se apalpa no abdómen;
- cancro do intestino, doença inflamatória do intestino ou doença celíaca em familiares próximos;
- nas mulheres, um inchaço constante que nunca passa por completo e se mantém dia após dia: é assim, e não de repente, que começa o cancro do ovário, e confunde-se facilmente com a SII.
Porque é que o intestino fica hipersensível
Não há uma causa única, atua a coincidência de várias circunstâncias.
A ligação entre o intestino e o cérebro. O intestino tem uma rede nervosa própria e densa, que troca sinais com o cérebro sem parar. Na SII essa troca está afinada de outra maneira: a distensão normal do intestino pelo gás é registada como dor. Daí o papel do stress, que não inventa o sintoma mas amplia uma sensibilidade que já lá estava.
Motilidade perturbada. O conteúdo avança umas vezes depressa de mais, e a água não chega a ser reabsorvida, e outras devagar de mais, e então as fezes endurecem.
Uma infeção anterior. Em parte das pessoas a SII começa logo a seguir a uma intoxicação alimentar forte ou a uma gastroenterite. É uma das formas mais compreensíveis e é a que mais vezes se resolve sozinha ao fim de um ou dois anos.
Flora intestinal e fermentação. Alguns hidratos de carbono absorvem-se mal no intestino delgado, chegam ao grosso e aí são fermentados pelas bactérias, com produção de gás. Em quem tem sensibilidade normal isso passa despercebido; na SII provoca dor e sensação de rebentar.
Hereditariedade e história de vida. A SII é mais comum em quem a tem na família, mais comum nas mulheres e mais comum em quem atravessou acontecimentos pesados, stress prolongado ou violência.
Como se chega ao diagnóstico
Não existe uma análise para a SII. O diagnóstico assenta no quadro de queixas: dor abdominal repetida, ligada à evacuação ou à alteração da frequência e da consistência das fezes, a durar há meses. É um diagnóstico de pleno direito e não um rótulo para «não encontrámos nada».
As análises servem para outra coisa: excluir doenças de aspeto parecido. Em regra são:
- hemograma e marcadores de inflamação;
- análise de sangue para doença celíaca, cujos sintomas são quase indistinguíveis e que se encontra numa fatia apreciável de quem andou anos com o rótulo de SII;
- calprotectina fecal, uma proteína que sobe quando há inflamação no intestino e ajuda a separar a SII da colite ulcerosa e da doença de Crohn sem recorrer logo a uma colonoscopia;
- análises às fezes para infeções e parasitas se a diarreia começou depois de uma viagem ou de uma intoxicação;
- consoante o caso, avaliação da tiroide, teste de intolerância à lactose e, nas mulheres, observação ginecológica.
A colonoscopia não se faz a toda a gente: marca-se perante os sinais de alarme da lista anterior, quando os sintomas começam em idade adulta e quando há doenças do intestino em familiares próximos. Se não houver sinais de alarme e as análises estiverem tranquilas, repetir exames de seis em seis meses não traz nada a não ser alimentar o medo.
A comida: o que ajuda e o que atrapalha
Não há uma dieta universal para a SII, e é a primeira coisa a aceitar. Não se começa por proibições mas por rotina: comer com regularidade, não saltar refeições nem carregar ao jantar, não comer à pressa, beber água que chegue.
Depois ajusta-se à forma que se tem:
- Com diarreia reduz-se a fibra insolúvel — farelo, pão integral, casca da fruta e dos legumes, frutos secos e sementes —, retiram-se os adoçantes em «-ol» e vigia-se que, com dejeções frequentes, não falte líquido.
- Com obstipação é ao contrário: acrescenta-se fibra solúvel — aveia, psílio, linhaça, cenoura, batata, leguminosas em quantidade moderada — e faz-se aos poucos, senão o inchaço agrava. O farelo de trigo, na SII, prejudica mais vezes do que ajuda.
- Com inchaço ajudam a aveia e a linhaça, refeições mais pequenas e frequentes e cortar nos alimentos que dão muito gás: couves de todo o tipo, cebola, leguminosas, pão acabado de fazer.
Merece nota à parte a dieta pobre em hidratos de carbono fermentáveis, conhecida como dieta baixa em FODMAP. Ajuda mesmo muita gente, mas não é uma lista de alimentos proibidos para sempre: é um procedimento de três passos, ou seja, restrição apertada durante algumas semanas, depois a reintrodução dos alimentos um a um para descobrir quais lhe fazem mesmo mal, e por fim uma alimentação estável construída sobre o que se apurou. Deve ser conduzida com um nutricionista. As versões caseiras e sem prazo empobrecem a alimentação, prejudicam a flora intestinal e estreitam a vida a uma dúzia de alimentos permitidos, sem no fim esclarecer nada.
Medicamentos e outras ajudas
Os medicamentos na SII tiram um sintoma concreto, não curam a doença por inteiro, pelo que se escolhem conforme a forma e se tomam em ciclos ou em caso de necessidade. Nenhum deles deve ser tomado por iniciativa própria durante anos.
- Antiespasmódicos, para a dor e as cólicas, em regra antes das refeições ou nos dias de crise.
- Óleo de hortelã-pimenta em cápsulas que se dissolvem no intestino: um recurso com efeito demonstrado sobre a dor e o inchaço. Pode agravar a azia.
- Antidiarreicos na forma com diarreia; convém tomá-los antecipadamente, antes de sair de casa ou de uma viagem, e não depois de o episódio ter começado.
- Laxantes: na obstipação preferem-se os de volume e os osmóticos. A lactulose costuma evitar-se na SII porque aumenta o gás e o inchaço. Os laxantes estimulantes não servem para uso contínuo.
- Probióticos: faz sentido experimentar um único preparado durante cerca de um mês. Se nesse tempo nada melhorou, andar a trocar de marca não leva a lado nenhum.
- Antidepressivos em doses baixas: receitam-se não pelo ânimo, mas como analgésicos, porque baixam a sensibilidade da parede intestinal. Vale a pena sabê-lo de antemão, para que essa receita não pareça uma insinuação de que a dor é imaginária.
Para além dos fármacos funciona bem tudo o que atua sobre a ligação entre o intestino e o cérebro: atividade física regular, técnicas de relaxamento e, nos casos difíceis, psicoterapia e hipnoterapia dirigida ao funcionamento do intestino. Não é «tratar os nervos», é uma maneira de quebrar o círculo em que a dor alimenta a ansiedade e a ansiedade alimenta a dor.
Consulta em linha
A consulta em linha assenta bem na SII, porque aqui pesa mais a conversa do que o exame. O médico percorre o carácter da dor e do trânsito intestinal, identifica a forma que tem, exclui aquilo que se disfarça de SII e diz-lhe que análises vale a pena fazer e quais faria em vão. Verifica à parte os sinais de alarme, cuja presença muda o plano por inteiro. Com o diagnóstico já feito, a consulta é o sítio certo para rever o diário alimentar, montar um esquema para os dias de crise, falar da dieta restritiva e de como não ficar nela para sempre, e decidir o que fazer quando o costume deixou de resultar. Perante sinais de alarme, sangue nas fezes pela primeira vez ou dor forte, a consulta em linha não serve: é preciso observação presencial.
Este material tem fins informativos e não substitui a consulta médica.
Médicos online para Síndrome do intestino irritável (SII)
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